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PARCERIA
COM:
O
Carnaval de Caicó é a festa realizada no período
carnavalesco na cidade de Caicó, no interior do estado
brasileiro do Rio Grande do Norte. Devido à tranquilidade
e animação, aliada a sua maior atração:
O Bloco Ala Ursa ou como é apelidado, bloco do Magão.
Caicó viu ser invadida por foliões de todo o nordeste,
sendo considerado em 2008, o terceiro maior carnaval do nordeste
brasileiro.
Programação
O
Carnaval de rua de Caicó geralmente se inicia uma semana
antes do carnaval, onde possui uma programação
fixa, porém sujeita a alterações.
O
Carnaval noturno ocorre na Ilha de Santana, com palco fixo
e estrutura de camarotes e banheiros químicos. Na Ilha,
dá-se preferência aos ritmos jovens e atuais.
Lá os blocos estacionam seus caixotes e viram a madrugada.
História
Estrudo
Até
meados do fim do século XIX, o carnaval caicoense se
dava nos moldes do antigo entrudo português, onde no qual
os foliões saíam às ruas, jogando água
e farinha nas pessoas.
Com a entrada do século XX, o carnaval se caracterizou
por ser um evento elitista, realizado apenas em clubes exclusivos
da elite caicoense,onde era impedido a entrada de pobres e negros.
Até que em 1930, surgia o Caicó Esporte Clube,
mais conhecido de "Sede dos Morenos", nesse clube
os excluídos da sociedade poderiam brincar o carnaval.
Em meados dos anos 1960, grupos de amigos começaram a
se reunir em agremiações,
conhecidas hoje como blocos, onde possuíam sua própria
programação; que consistia em banhos em açudes
e balneários e de um desfile em automóveis pelas
avenidas da cidade, sempre fantasiados, fazendo batucada e cantando
marchinhas.
Carnaval
de Rua
Sua
primeira manifestação foi na década de
1930, com a criação do "Bloco do Lixo",
chamado assim, num sentido pejorativo, por se utilizarem de
instrumentos de lata, pedras e paus; e se vestirem com fantasias
sem luxo. Nessa época já havia as "burrinhas
de padre", que saiam as ruas todos os dias do período
carnavalesco.
Em
1942, um pernambucano chega à cidade, e introduz um
urso ao bloco, que passa então a ser chamado de "Ala
Ursa". O mesmo pernambucano trouxe de seu estado o costume
dos papangus e das virgens, homens mascarados travestidos
de mulher e mulheres travestidas de homem, que passaram também
a acompanhar o bloco.
Ala
Ursa
Com
o passar dos anos, vários bairros passaram a ter seu
próprio "Ala Ursa", como os bairros Paraíba,
João XXIII e Boa Passagem.
Porém o "Ala Ursa" que obteve maior popularização
foi o "Ala Ursa do Poço de Santana", apelidado
de Bloco do Magão; fundado por amigos e coordenado
por Ronaldo Batista de Sales, o Magão. O bloco surgiu
com a finalidade de chamar a atenção da comunidade
para o poço de Santana, o lendário poço
ligado a origem da cidade, denunciando assim a poluição
que o mesmo vinha a sofrer.
A agremiação sempre saía com suas burrinhas
de padre, papangus, além do urso e dos bonecos gigantes
de papel-machê. Em 1993, o bloco começou a receber
patrocínio de comerciantes da cidade, em troca, da
divulgação da marca de suas lojas estampadas
nos bonecos. A partir daí, o bloco passou a ser mais
valorizado, quando então se iniciou a formação
da orquestra de frevo e da criação do hino do
"Ala Ursa do Poço de Santana". O bloco passou
a abrir o Carnaval de Caicó, juntamente com o Bloco
das Virgens, e acompanhar a brincadeira do mela-mela, prática
que passou a ocorrer durante todos os dias do Carnaval. Com
o final dos anos 1990, o bloco cresceu tanto, que se tornou
marco principal do Carnaval caicoense.
Carnaval
Norturno
O
primeiro marco do carnaval noturno caicoense foi o "Baile
do Preto e Branco", realizado no Atlético Clube
Corinthians. Nesse baile, os foliões só poderiam
entrar se tivessem vestidos de branco e preto, referência
as cores do principal time de futebol da cidade.
Nos anos 1990, houve um crescimento crescente do número
de blocos formados por amigos. Nessa época já
havia uma aglomeração dos blocos em frente do
Hotel Vila do Príncipe. Em anos seguintes, o poder
público decidiu não patrocinar o carnaval, pois
estava afetando o faturamento dos carnavais nos clubes. Mas
os blocos já estavam insatisfeitos com as festas nos
clubes, pois os mesmos eram obrigados a pagar uma taxa chamada
de "rolha", referente a cada litro ou grade de bebida
que o bloco levasse ao clube. Com isso, os blocos começaram
a evocar o carnaval na rua. A partir disso, iniciou a decadência
do carnaval em clubes.
A partir de então, começou-se a montar a estrutura
carnavalesca em frente ao Hotel Vila do Príncipe, mas
o caráter elitista do carnaval permaneceu, pois as
sacadas dos quartos do hotel funcionavam como camarotes. Nessa
época, o carnaval caicoense dava seus primeiros passos
de consolidação.
Em 2001, devido a transtornos gerados pela obstrução
da BR 427, a festa foi transferida para a Praça Dom
José Delgado. A partir daí seu crescimento não
parou, até que em 2007, o carnaval foi novamente transferido,
dessa vez para o recém construído Complexo Turístico
Ilha de Santana, onde se mantém até os dias
atuais.
Elementos
do Carnaval Caicoense
Burrinhas-de-Padre
São
pessoas com fantasias de madeira em formato de círculo
e uma cabeça de burro, além de um sino
no pescoço e uma cauda. O usuário da burrinha
geralmente usa máscara de modo a não ser
identificado. Essa fantasia tem origem em uma lenda
ocorrida na cidade, estória semelhante a lenda
da mula-sem-cabeça. Antigamente os foliões
se utilizam dessa fantasia para bater em possíveis
desafetos, uma vez que não eram reconhecidos.
Atualmente as burrinhas só fazem assustar as
crianças que as insultam.
Zé
Pereira
Trata-se
do boneco gigante que anuncia o domingo de Entrudo;
em Caicó, essa data passou a ser chamada de Domingo
de Zé Pereira.
Filhós
É
costume na cidade, apenas no domingo de Zé Pereira,
as pessoas mais velhas fazerem filhós, um bolinho frito
à base de farinha de trigo com calda de mel de rapadura.
Inclusive essa sobremesa se tornou uma das marcas da culinária
seridoense.
Virgens
Trata-se
do dia do contrário, onde os homens vão
ao carnaval vestidos de mulher, e as mulheres vestidas
com roupas masculinas. Trata-se de uma brincadeira saudável,
onde foliões de todas as idades participam, inclusive
casais de namorados. Geralmente isso ocorre na sexta-feira.
Blocos
Formados
por grupos de amigos que decidiram brincar o carnaval
uniformizados. Geralmente são batizados com nomes
irreverentes,atualmente são a cara do carnaval
jovem caicoense. Os membros geralmente pagam uma mensalidade,
para que seja preparada toda a infra-estrutura para
o carnaval, como aluguel da sede, confecção
de camisetas personalizadas, transporte e senhas para
eventos nas cidades vizinhas e compra das bebidas para
todo o período carnavalesco. Esse formato extrapolou
o carnaval, e hoje é possível ver blocos
em praticamente qualquer evento realizado na cidade.
Caixote
É onde são armazenadas as bebidas em plena festa.
São confeccionados geralmente em madeira e revestidos
internamente por isopor. Cada bloco personaliza seu caixote
com sua marca e o carregam para onde forem. Inclusive o caixote
se transforma em uma espécie de palco, onde os foliões
dançam ao som do carnaval, seja carregando no Ala Ursa
ou estacionado como acontece à noite na Ilha de Santana.
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